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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ética Teonomista

Por Frank Brito

Teonomia significa Lei de Deus. A Lei de Deus e não de qualquer outra criatura é o padrão de bem e mal, justo e injusto. Deus e não o homem dá ordens. O homem e não Deus obedece. O homem se assenta no tribunal de Deus. Deus não se assenta no tribunal do homem.

Caso queiramos contrariar isso devemos estar prontos pra receber a mesma advertência de Jó:

"Então, do meio do redemoinho, o Senhor respondeu a Jó: Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei a ti, e tu me responderás. Farás tu vão também o meu juízo, ou me condenarás para te justificares a ti? Ou tens braço como Deus; ou podes trovejar com uma voz como a dele? Orna-te, pois, de excelência e dignidade, e veste-te de glória e de esplendor". (Jó 40.6-10)

Como está escrito também:

"Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou dirá a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 45.9)

Deus é absolutamente soberano e absolutamente inescapável. Não há para onde fugir. Não há para onde correr. Ele é o Criador. Nós somos as criaturas. O que ele diz que é, é.



A revelação da vontade moral de Deus foi feita por meio de seus profetas e apóstolos e registrada nas Escrituras para o testemunho de todas as gerações:

"Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra". (II Timóteo 3.16-17)

A Escritura em sua totalidade e não somente nossa parte preferida é Divinamente inspirada com informação necessária para instruir o homem de Deus perfeitamente naquilo que é justo e não é. O contexto em que Paulo disse isso pra Timóteo precisa ser lembrado também:

"Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados". (II Timóteo 3.13)

Toda Escritura é o meio de deixar de enaganr e ser enganado. A sabedoria de Deus e não a sabedoria do homem é a fonte da verdade. A revelação da sabedoria de Deus é o único meio de fugir e deixar de ser um homem mau, indo de mal a pior.



Infelizmente, muitos cristãos tem confessado isso com a boca, mas não depositam plenamente sua confiança na Escritura como sendo Divinamente inspirada com informação necessária para instruir o homem de Deus perfeitamente naquilo que é justo e não é. Isso acontece de diferentes formas e em diferentes níveis de intensidade, até entre os melhores santos.

Em meio ao pluralismo de nossos dias, uma forma comum de negar isso é negar a que a Escritura tenha informação necessária para instruir o homem de Deus perfeitamente naquilo que é justo e não é no âmbito do governo civil. Apesar de Deus ser confessado como absolutamente soberano sobre toda realidade e sua Palavra como sendo suficiente pra instruir o homem perfeitamente na justiça, quando o assunto é o governo civil, a prática comum é citar em qualquer capítulo ou verso fora de contexto que dê vasão pra o entendimento que apesar da Bíblia ser suficiente pra instruir o homem perfeitamente na justiça, ela não tem nada a dizer sobre como seria o comportamento justo do governo civil.

Apesar da Bíblia ser suficiente pra instruir o homem perfeitamente na justiça, devemos confessar também que ela não instrui sobre como o que é justo para os governantes legislar e o que não é. Tudo o que os governantes precisam saber é que Moisés não era o que a Bíblia diz que ele era, mas que era um tirano primitivo, que redigiu leis segundo a sabedoria de tribos bárbaras e agora que somos modernos e evoluidos e tolerantes devemos buscar a sabedoria de réprobos odiadores de Deus pra ditar o que é certo e errado no âmbito do governo civil.

Deus - o Criador do Céu e da Terra e determinador do bem e do mal - em nome da capacidade do homem determinar por si mesmo o bem e o mal, foi excluido do governo civil assim como outros fizeram no tempo de Samuel:

"...não é a ti que têm rejeitado, porém a mim, para que eu não reine sobre eles..." (I Samuel 8.7)



O que precisamos fazer é voltar para as Escrituras. Não em sua parcialidade, mas em sua totalidade. A Bíblia Sagrada no Antigo e no Novo Testamento revela o padrão moral exigido por Deus a todos os homens. Precisamos passar a acreditar nisso.


A Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos, também sob influência pessoas duvidosas, abaixou a cabeça para a Constituição e logo em seguida alterou o capítulo XXIII da Confissão, "DO MAGISTRADO CIVIL" para que pudesse se conformar ao novo pluralismo. A CFW que temos na IPB, não é a Confissão de Westminster de fato, mas a versão americana que foi mudada pra não refletir o pensamento puritano anterior sob o magistrado civil, muito antes de Rushdoony nascer. Da mesma forma que arminianos acrescentaram o capítulo CAPÍTULO XXXV, tornando a confissão esquizofrenica, do jeito que os liberais queriam pra que, cheia de buracos, pudessem sempre ter uma forma de se esquivar nos tribunais.


Isso aconteceu depois da independência americana. Aconteceu depois que a Constituição Americana oficialmente impediu a continuidade das colônias teocratas que existiram até 1775. Isso aconteceu em 1788, não muito depois do fim da guerra da independência. O autor da postagem cita o capítulo XXII como se fosse o mesmo que fora escrito pela delegação de Westminster. Mas o capítulo XXII que nós temos agora foi escrito por americanos nos Estados Unidos e não pela Assembléia de Westminster.

A versão atual foi completamente reescrita por eles. A versão original dizia:

CAPÍTULO XXIII
DO MAGISTRADO CIVIL

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I. Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.

...

III. Os magistrados civis não podem assumir para si a administração da Palavra e dos sacramentos, ou o poder das chaves do reino dos céus, mas têm autoridade e é seu dever... que blasfêmias e heresias sejam suprimidas...


Isso foi alterado depois da independência americana, pois a Constituição Americana no o Artigo VI, cláusula 3 diz:
"Nenhum requisito religioso poderá ser erigido como condição para a nomeação para cargo público".

George Gillespie, um escocês e um dos mais importantes teólogos da assembléia de Westminster escreveu:
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"Em lugar nenhum de todo o Novo Testamento, lemos a respeito da abolição da lei judicial naquilo que se refere ao castigo por pecados contra a Lei Moral... Se não fosse assim, então o magistrado é livre para escolher castigos conforme o seu próprio arbítrio. Mas isso não é uma coisa arbitrária, pois ele é ministro de Deus Rom. 13.4, o julgamento pertencence ao Senhor Deut. 1.7; 2 Chron. 19.6..."- VVholesome Severity
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"Portanto as leis judiciais de Moisés... precisam ser diferenciadas, pois são de dois tipos: algumas são de eqüidade particular, outras de eqüidade geral... Estas podem ser resumidas como:

1. Leis de eqüidade particular são leis que eram obrigatórias somente sob as circunstâncias especiais da comunidade Judaica.

2. Leis de eqüidade geral são leis que são obrigatórias pra judeus e gentios. Essas leis são fundamentadas na lei moral e portanto são universalmente obrigatórias..."
A Discourse of Conscience

O questão ai é tratada extensivamente na literatura puritana. É uma distinção feita claramente na Bíblia. A nação de Israel, enquanto a vocação dos gentios não chegava e estava sob o Antigo Pacto, foi marcada por diversos rituais, mandamentos e leis judiciais que eram referentee a situação passageira dela como nação separada. É sobre isso que a confissão está falando: "A esse mesmo povo, considerado como um corpo político, Deus concedeu diversas leis judiciais que deixaram de vigorar quando o país daquele povo também deixou de existir..."

Na parte 4 do capítulo seguinte da Confissão, nós lemos:

"Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas e pelo poder do magistrado civil".

A parte sublinhada não pode ser encontrada na Confissão que temos na IPB. Ela também foi retirada pelos americanos junto com a mudança no capítulo XXIII. Mas isso estava na Confissão original. E o texto prova usado pra essa parte eram Deuteronomio 13:6-12; Esdras 7:23-28; Neemias 13:15, 17, 21, 22, 25, 30; 2 Reis 23:5, 6, 9, 20, 21; 2 Crônicas 34:33; 2 Crônicas 15:12, 13, 16; e Daniel 3:29. Cheque as referências veja claramente como "Essas leis são fundamentadas na lei moral e portanto são universalmente obrigatórias.."



Exigências Morais das Escrituras


Veja um exemplo:

"Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário". - I Timóteo 5.16-18

Esse verso pois ele responde um questionamento muito frequente. Muitos dizem: A Lei de Deus foi dada em tempos diferentes. Nem todas as situações possível são prevista lá. Ela nada fala sobre crime virtual, por exemplo. Esse tipo de questionamento surge por uma incompreensão da natureza da Lei. O propósito da Lei não é falar de todas as situações e casos específicos que podem ocorrer. O propósito da Lei é citar alguns casos que revelam as exigências morais de Deus e com base nisso, devemos chegar a conclusões da aplicação em outros casos cujo princípio é o mesmo. A suficiência da Bíblia para instruir na justiça não significa que ela preveja todas as situações possíveis diretamente, mas que ela revela princípios que se aplicam a todas as sutuações possíveis.



Por isso a Bíblia, especialmente os Salmos, recomendam tanto a meditação na Lei. A meditação é necessária pra compreender as aplicações possíveis dos princípios revelados:

"Oh! quanto amo a tua Lei! É a minha meditação em todo o dia. Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre comigo. Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação". - Salmo 119.97-99

Conversando com não-teonomistas eu noto que esse é um dos capítulos mais desprezados em toda a Bíblia. Eu já ouvi de pastor (reformado!!!) falando de coisas da Lei que na verdade só existe no Alcorão. É assim que entendem a maioria dos cristãos.



No caso do verso ai, Paulo cita a Lei que diz: "Não ligarás a boca ao boi que debulha".

Mas qual é a relação de bois com remuneração de presbíteros? Porque a necessidade de não ligar a boca ao boi que debulha conforme a Lei significa que devemos remunerar os líderes eclesiástico? Porque as exigências morais de Deus em um casorevelam a aplicação em outros casos cujo princípio é o mesmo.

Bois são animais. Animais tem o direito de não ser malratados e explorados (veja também o quarto mandamento) e portanto tem o direito de receber a recompensa por seu serviço.

Animais são subordinados ao homem (Gênesis 1-2). Se o animal tem a os direitos trabalhistas sendo subordinado ao homem, muito mais o homem que está acima deles tem tais direitos.

Sendo assim, nesse verso Paulo demonstra tanto a continuidade da aplicação moral da Lei quanto a necessidade de refletirmos pra compreendermos a aplicações em âmbitos dos quais a Lei não fala diretamente.



1) A maior parte dos pastores famosos  não entendem o assunto, só superficialmente. Isso não é ensinado na maioria dos seminários. Em nossos tempos o laicismo é um dogma tão universalmente aceito que poucos param pra refletir se é verdadeiro ou mesmo no que significa. Ao lado disso, há muitos textos sem o sentido verdadeiro na cabeça das pessoas mas que as pessoas acham que provam o seu caso sem que ele de fato prove nada. Como o laicismo é um dogma universal, a maioria nem para pra pensar. O motivo pelo qual eu digo que eles não entendem do assunto é que, entre aqueles que pararam pra falar um pouco sobre o assunto, só falaram contra espantalho. Poucos são os teólogos modernos que entendem de fato o funcionamento das leis mosaicas, inclusive entre os melhores pregadores. Por isso muitas vezes atacam um homem de palha.

Eu vou dar dois exemplos aqui...



Aqui John Piper, como um verdadeiro profeta de Deus - na tradição de João Batista - confronta Obama por ser cúmplice de infanticídio de milhões de bebês por meio do aborto:



A partir do 0:47, ele começa a acusar o Obama de ser cúmplice de assassinato.


Ao mesmo tempo, John Piper é a favor da pena de morte:
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http://www.desiringgod.org/resource-library/ask-pastor-john/do-you-believe-in-capital-punishment
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Ele é a favor da pena de morte pra assassinos, por exemplo.



Uma pergunta é:

Por qual motivo quando é alguns assuntos, a Bíblia tem que ser o padrão a ser seguido pelo governo e em outros assunto, a Bíblia não tem nada a ver com o governo? Por qual motivo quando é pra falar de aborto, casamento gay e pena capital pra assassinos, John Piper diz que o governo tem que seguir a Bíblia, mas se eu falar em outros assuntos também tratado lá, ele argumenta que são coisas separadas como ele faz aqui:
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http://www.desiringgod.org/resource-library/articles/dominion-theology-or-reconstructionism
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E outra pergunta é:
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Se aborto é assassinato e assassinato deve receber pena de morte, por qual motivo, não há uma defesa completa da aplicação da pena de morte contra abortistas se elas são culpadas de assassinato?
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Essas perguntas nunca são respondidas. Dependendo do assunto, eles te dirão que a Bíblia tem a ver com o governo ou não. Se for aborto, casamento gay ou legalização de drogas, o governo precisa obecer a Deus. Se for homossexualidade, o governo é independente de Deus.

Fica dificil entender.



Segundo motivo:

2) A maioria confunde teonomia com qualquer forma de teocracia. Existem muitas formas de teocracia e é um erro colocar tudo no mesmo saco. Mas muitos críticos colocam como se fosse tudo a mesma coisa. E com base nisso, usam exemplos de ruins na História pra atacar a teonomia. Isso normalmente causado pelo primeiro motivo que eu citei. Não entendem muito bem o sistema mosaico.



Como disse o velho e sábio Salomão:

"Nos lábios do rei se acha a sentença divinaa sua boca não transgride quando julga... Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono". - Provérbios 16.10,12















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